24 julho, 2011

Travessia do México - última parte

*Se você perdeu os três primeiros capítulos da série, volta aqui pra acompanhar melhor!

Desta vez entramos no carro, e não fomos jogados como saco de batatas, e juntou-se a nós mais quatro mexicanos que estavam em busca do sonho americano também... eles nos levaram para um lugar pior que o meio do nada ...rs... e nos largaram lá, com dois coyotes. Começamos a correr... sol, calor, poeira... ah, lembra daquelas bolas de galhos secos que nos filmes de faroeste passavam rolando no deserto? Pois é, lá tinha dessas hehehehe Mas continuando, começamos a andar e correr, eu já ficando sem fôlego, e não chegava nunca! De repente o coyote veio correndo, gritando "agacha-te" pra gente, e nos empurrando pro chão pois estava vindo um helicóptero da polícia americana - isso indicou que estávamos perto da fronteira. O danado do coyote me jogou justo encima de um pé de cacto, como caí eu fiquei, se eu sequer respirasse fundo os espinhos entravam mais e mais no meu bumbum... ficamos assim por uns 15 minutos, e os americanos sobrevoando pra lá e prá cá. Eu digo até hoje que foi Deus que enviou aquele helicóptero, pois só assim eu consegui descansar e recuperar o fôlego. Já estava entrando em desespero, pois ao perguntar pro coyote o que acontecia se alguém se machucasse ou não conseguia acompanhar, ele foi curto e bruto  "morre sozinho". Ok... estou logo atrás de você seu fdp - sorry. 
Os policiais se foram e nós continuamos... andamos mais uns minutos, pulamos uma cerca de arame e pronto! Estávamos em solo americano... simples assim... agora né! Ali os coyotes nos disseram que a hora em que um carro parasse lá embaixo da rodovia - estávamos lá encima - era pra descer rolando correndo e entrar no carro. Ok... expectativa, passa um, dois carros... o terceiro para e nós sebo nas canelas! Desci de bunda mesmo, tinha tanta pedra e areia solta que achei melhor do que uma perna quebrada ou coisa parecida. Nos jogamos pra dentro da caminhonete (dessa foi nós mesmos) e seguimos viagem... eu fui uma das primeiras a entrar, e para meu azar, os homens maiores os últimos. Sabe aqueles sacos de batatas, é, novamente nessa situação... certo ponto eu já não sentia mais minhas pernas e pés, aí imploramos para eles pararem para nos ajeitarmos. Os coyotes pararam, nos dividimos em dois carros, disseram que iam nos levar pra Los Angeles e não para San Diego como havia sido dito primeiro. Um pé do meu tênis ficou preso embaixo do banco, saí descalça com o outro na mão e me enfiei debaixo do painel do outro carro, junto com uma mineirinha boba que ficava dando trela pros coyotes... belisquei ela, fala sério né guria, queres ter a tua "frítola" violada?! Não lembro quanto tempo andamos de carro, mas o tempo todo eles diziam "se a imigração parar, voês saem correndo e se escondem, depois voltamos pra pegar vocês, nós gritaremos primoaí vocês saem de onde estiverem," tive muito medo nessa hora e rezei muito pra não ter que sair correndo, ter que me esconder e esperar alguém voltar chamando primo! Chegamos num motel onde fomos hospedados. Mais instruções: não saiam dos quartos, não façam barulho e aguardem que voltaremos amanhã. Me colocaram num quarto só com mexicanos, "não, não, volta lá e trás uma brasilenha pra ficar aqui senão falo pro Ricardão" tive que blefar... era minha frítola vida em jogo! Pedido atendido. Fome. Primeira vez que devorei comi um burguer king na vida. Na minha terrinha era comida  caseira mesmo, um "xis" salada vez ou outra. No quarto, dormi numa cama com as outras brasileiras... dessa vez não me importei com os dois coyotes que estavam no quarto, meu corpo estava entrando em colapso de tanto estress e cansaço. Também não liguei quando um deles disse que era noivo de uma brasileira que havia deixado dele... ele disse que mataria ela. Tudo bem eu disse, vocês voltam, e eu voltei a dormir.
No meio da madrugada alguém esmurra a porta - imigração eu pensei - era outros coyotes com nossas coisas. Da minha mala restou uma sapatilha, uma calça preta e uma blusa amarela, nem uma tanga aquelas mexicanas ladronas fdp deixaram pra mim vestir! 
Instruções: pegar um táxi, no outro dia após o almoço, até o aeroporto e lá retirarem suas passagens até seus destinos. Já dentro do táxi começamos a nos preocupar: "se eles verem um bando de brasileiros juntos, vão desconfiar... como vamos pegar nossas passagens?". No estacionamento do aeroporto, o taxista parecido com o Antônio Bandeiras disse que se nós quiséssemos ele faria isso pra nós - ele era mexicano gente boa viu?!. Um de nós foi com ele, quando voltaram, demos 10 dolares de cada pra ele, que recusou e disse... "não precisa não, eu sei o que vocês estão passando, mas se a brasilenha ali quiser me dar um beso - quem?! hã!? eu?! posso não seu moço, sou moça comprometida, com filho e tudo... " Ok, boa sorte pra vocês. Tchau, bye-bye, hasta la vista...
E assim eu embarquei em L.A. pra Chicago e de Chicago pra Boston, onde encontrei com o amor da minha vida... E lá fiquei durante quatro anos e meio, construindo um relacionamento,  um casamento e uma vida, porque fala sério né, depois de três meses de namoro e  dois anos separados, só por amor mesmo estamos há dez anos juntos!!!

Beijo no ♥ de quem acompanhou a novela série Travessia do México, em busca do amor! ...rs...

6 comentários:

Rosana Remor disse...

Uma linda história com final feliz!!!Que bom que deu tudo certo.O amor faz destas coisas,a gente comete loucuras!!Bjs amiga!!

Adriana disse...

UFA, deu tuuudo certo!!! Vc é uma mulher de fibra, uma guerreira que sabe o que quer!!!

beijossssssssssss

Iranilde Brissant disse...

UFA!!!Menina, você é muito corajosa.
Deus ilumine e conserve este amor de vocês, terão belas histórias para contar a filhos e netos.
bjs
Iranilde

Lucinha disse...

Rê,

Vim passear no seu sítio, e acabei parando na sua saga passando pelo México.
Tenho amigos e parentes que passaram por isso. Mas dois primos (irmãos), não tiveram a mesma sorte que você, e acabaram presos. A minha prima deixou a filha acho que com 2 anos e estrava indo ao encontro do marido que foi trabalhar lá. Ela estava grávida quando ele foi.
Ela e o irmão voltaram para o Brasil, e depois de um tempo o esposo acabou vindo embora.
Outros foram com visto e estão lá até hoje.

Não sei se eu teria essa coragem, talvez sim. Pois depois de tomar a decisão de deixar tudo pra trás e atravessar o oceano, eu descobri em mim, coragem que não sabia que tinha.

Mas eu vim com visto, aqui não tem condições de viver sem ele, é muito diferente dos EUA.

A sua história terminou bem, graças a Deus! O amor venceu tudo, e hoje vocês estão todos juntos e vivendo no Brasil.

Bem, a prosa está muito boa, mas tenho que ir. Risos

Volto pra prosear mais. Beijos

Tiane disse...

Nossa Rê!!! Que loucura! E que coragem! Te digo, sem vergonha nenhuma, que não tenho coragem para fazer o que tu fizeste! Que história bonita! E ficaste longe da filhota estes anos que ficaste nos States? uau! que coragem! Bjinho!

Tatiane disse...

Chuif chuif...... que história linda, emocionante, tudo.... imaginei cada segundo, cada coisinha, senti medo, senti tristeza e fiquei feliz no final.
Meu maior sonho é conhecer os EUA, na verdade o maior mesmo é morar lá, quem sabe um dia?! Mas não quero atravessar a fronteira dessa forma, sou muito cagona, rsrs
(Desculpe o palavrão mas não há outra palavra melhor para expressar isso).
Beijos e até a próxima :)

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